Literatura: Fernando Buarque
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Os ciclos virtuosos de nossas vidas Idéias e Ações Votem Certo!
Reformas que o Brasil necessita Não existe Sistemas inteligente? As Reformas Nacionais para o Brasil que nós queremos
Portal do Prof. Fernando Buarque, DIC, PhD
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As Reformas Nacionais para o Brasil que nós queremos
(Jornal Diário de Pernambuco, de 16 de Novembro de 2011,
Escrito com Hugo Serrano)
Quando olhamos
ao redor certamente vemos muitas potencialidades, mas não vemos um
Brasil como ele pode ser. Ao se discutir os problemas do Brasil,
chega-se forçosamente à conclusão de que tudo, direta ou indiretamente,
está relacionado à ineficiência do nosso sistema educacional. A
educação, como há muito advoga Cristovam Buarque, é a arma mais poderosa
para todos os males que afligem qualquer povo. Um sistema educacional de
qualidade, que forme e não apenas informe, e que seja amplamente
acessível. Para isso, precisamos de um Estado que valorize a educação e
os educadores. Precisamos de mais professores, de bons professores
motivados, valorizados e prontos para exercerem o seu papel de agente
transformador (inspirador etc). Mas antes, precisamos dar condições para
que o povo brasileiro possa aprender não apenas conhecimento técnico ou
científico, mas aprender a aprender, aprender a conviver em sociedade e
a respeitar regras; sim, aprender a agir com ética e pensar
coletivamente. E para que essas condições existam precisamos
urgentemente de uma profunda reforma nas entranhas do nosso país. Não
apenas a tão citada e cada vez mais remota reforma política, ou as tão
sonhadas reformas agrária ou universitária. Precisamos de uma reforma
nacional geral, uma de princípios. Mas debater a reforma política no
Brasil de forma dissociada da reforma de valores é querer tratar uma
doença grave medicando seus sintomas. Para isso será necessário que
nossos eleitos na maioria: (1) ajam com ética, (2) priorizem os
interesses coletivos em detrimento dos individuais ou partidários e (3)
tenham sensibilidade para os problemas sociais que afetam o nosso País.
-Pouco disso temos agora. Portanto devemos buscar um tipo de reforma que
reforme a si mesma, por exemplo, uma reforma política que melhore a
qualidade dos próprios políticos. E que seu sucesso seja medido pela
redução da corrupção, pelo aumento do compromisso com a coisa pública e
pelo aumento conseqüente da eficiência do Estado. Sim uma reforma que se
meça pela diminuição da "gersonificação" do brasileiro; que essa reforma
promova então "levar vantagem, mas para todos". Certamente quando se
melhorar os princípios pessoais, via uma educação melhor, Lei no Brasil
não será uma questão de moda. Nesse Brasil reformado esperamos melhores
Leis, esperamos melhores interpretações das Leis, esperamos punições e
responsabilização de culpados. Mas é impossível não retornar ao cerne,
já que para tudo isso precisamos de um povo educado. Daí emergirão
poderes nacionais valorosos: um executivo atuante e idôneo, um
judiciário ágil e justo, e um legislativo capaz de produzir as Leis que
precisamos e que possa cortar sua própria carne. Concidadãos, temos que
empreender a maior das reformas: a reforma das pessoas desse pais. Ela
alicerçará a democracia que produzirá o país que queremos (e então
mereceremos). E o caminho, esse, já foi apontado há meio século pelo
grande brasileiro, Anísio Teixeira: “Só existirá democracia no Brasil no
dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa
máquina é a escola pública” (de qualidade). [Voltar para o topo desta página]
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Não
existe sistema inteligente?
(Jornal da Ciência e-mail 4362, de 11 de Outubro de 2011,
Escrito com Marcelo Pita)
Em ciência, como em várias outras atividades humanas, algumas polêmicas
surgem em torno de tópicos específicos, muitas vezes pela importância e
densidade de conceitos que encerram, ou ainda por sua polissemia. No
começo de agosto passado foi veiculado no Jornal da Ciência (JC-email
4313, de 02 de agosto de 2011) um artigo intitulado "Não existe sistema
inteligente", publicado originalmente no jornal Estado de Minas no final
de Julho. Esse texto apresenta uma série de argumentos que defendem a
visão de que não há (nem haverá) sistemas de computação que poderiam ser
rotulados de inteligentes. [Voltar para o topo desta página]
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1. Reforma na Educação a. Adoção de currículos menos generalistas e mais pragmáticos; b. Adoção de métodos de ensino mais modernos (e.g. conhecimento construído e não transferido); c. Aumento do número de Escolas Técnicas e Profissionalizantes; d. Incentivo (e valorização) maior às manifestações culturais e esportivas locais; e. Estímulo à formação de Doutores e Mestres visando atender o mercado e não apenas a Academia. 2. Reforma Eleitoral a. Adoção de sistema distrital de eleição; b. Aumento de tempo de mandatos para 6 e 9 anos, ou seja eleições apenas a cada 3 anos; c. Autorizações rápidas para processos contra políticos em exercício que cometerem crimes comuns; d. Adoção de um cadastro permanente de políticos e servidores públicos corruptos. 3. Reforma Judiciária a. Adoção da súmula vinculante; b. Auditoria externa do judiciário (apenas quanto a prazos máximos para sentença); c. Inversão do status de inocência para culpado após condenação em 1ª instância; d. Redução das possibilidades de apelação para instâncias superiores. 4. Reforma Tributária a. Redução do número de tributos (e.g. fundir IPI, ICMS e ISS); b. Aumento da participação dos Estados no montante de impostos do país; c. Adoção de mecanismos para frear a guerra fiscal entre Estados; 5. Reforma Econômica a. Autonomia do Banco Central para controle da Economia; b. Redução gradativa dos juros; c. Redução planejada do endividamento público interno e externo; d. Maior articulação entre os órgãos de auditoria (TCU, CJU, STF, Congresso Nacional etc) na fiscalização das responsabilidades fiscal e social pelos três níveis do Poder Executivo. 6. Reforma em Infra-estrutura a. Opção por combustíveis renováveis e menos poluentes para a malha energética nacional; b. Priorização de transportes fluviais e ferroviários para cabotagem, carga e passageiros; c. Estímulo à substituição das importações por similares nacionais; d. Incentivo ao turismo ecológico interno e externo; e. Incentivo maior e permanente aos APL (arranjos produtivos locais); f. Incentivo às pesquisas científicas com aplicações à economia nacional; g. Adoção de um sistema nacional e permanente de mutirões para construção por seus usuários de casas, escolas e vias locais; h. Condicionamento de quaisquer das iniciativas assistencialistas ao cumprimento de obrigações específicas por parte dos beneficiados (e.g. bolsa família somente pago se visitas regulares ao médico da família e nenhuma falta sem justificativa à escola); i. Introdução do serviço social obrigatório em adição/alternativa ao serviço militar; j. Re-planejamento e padronização de procedimentos (por região) dos serviços oferecidos pelo SUS; k. Reestruturação e redistribuição de atribuições entre forças de segurança brasileiras: FSN, Polícias da esfera federal (PF, PR, PJ etc), Polícias Militares, Polícias Civis e Guardas Municipais.
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Votem Certo! (Mensagem para Eleitores de Out/2006)
Caros Eleitores (e meus Alunos), Recentemente li várias mensagens na internet, algumas delas com mais tempo de reflexão e leituras que outras. Nem ia responder, mas como vi que talvez pudesse ajudar lhes aprontei a lista abaixo; não vou me alongar aqui porém gostaria de apontar alguns tópicos para sua reflexão antes desta eleição. Faço isso, não por gostar de ‘p’olítica, mas não ter escolha e entender que ‘P’olítica é algo muito sério para todos. Os tópicos de reflexão sugeridos são: 1) Voto em branco é diferente de voto nulo. Um pode fazer a eleição ser anulada o outro beneficia apenas o candidato mais votado. Por pior que sejam as opções disponíveis: VOTEM! -Não abram mão desse privilégio que também é um dever. -Pensem nas conseqüências de abrir mão de seu direito; 2) Se a população está sistematicamente escolhendo mal, junte-se a alguns de nós que estão tentando educar o Brasil; 3) Se as opções estão ruins articulem candidaturas; talvez as suas próprias. É muito provável que muitos de vocês possam se sair melhor que as ofertas ruins do mercado político. Aliás, a corrente oferta ruim decorre em parte da apatia dos que podem contribui como VOCÊ! -Como dizia Platão, se você tem um dom - parabéns! Mas você não tem a possibilidade de escolher se vai usá-lo ou não; 4) Finalmente, gostaria de chamar a sua atenção para os vários sentidos que a palavra Política possui. Temos de aprender que quando veio do grego, houve um 'overloading' em uma única palavra no Português. Até hoje isto nos atrapalha muito como Estado-Nação. Para ajudar o entendimento, usemos o inglês para aprendermos alguns dos sentidos de Política – como originalmente foi concebida no vernáculo grego: (a) 'Politics' - Como a Arte de governar; (b) 'Policy' - Como Guia/Baliza para decisões; (c) 'Police' - Como manutenção da ordem; (d) 'Polity/-ies' - Como um grupo politicamente organizado. Se personificados, essa polissemia de Política nos gera, pela ordem: governantes, formadores de opinião, fiscais e partidários. -Portanto, você pode fazer Política de várias maneiras (até mesmo escrevendo e-mails como este!). Somente não façam uma coisa: NADA! Amanhã, V-O-T-E-M certo! |
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Idéias e Ações (Carta para estudantes de Engenharia em 2006)
Caros Legentes, Há algumas semanas fui procurado por um colega de vocês – Aluno da POLI – que animado me disse que tinha uma idéia. Apesar de ocupado com as muitas novidades que estamos trabalhando no DSC, rapidamente parei e o convidei a sentar para conversarmos. Fiz isto pois idéias hoje são um tanto escassas em nossa juventude. Posso estar sendo extremamente duro na minha afirmação, mas minhas observações após ter voltado ao Brasil em dezembro de 2002, apontam fortemente para isso. Este texto vai narrar algumas queixas minhas sobre este assunto e algumas sugestões para juntos rompermos a inércia de criar e, principalmente, de ‘engenheirar’ idéias. Antes de começar gostaria de afirmar que não estou escrevendo este texto de forma amarga ou desapontadamente. Não quero ferir suscetibilidades. Quero lhes dizer que estou escrevendo este texto com um único objetivo: fazer com que você – leitor que venceu o primeiro parágrafo – reflita sobre a grande inércia (de repouso) na geração de idéias e realização de ações que se abate sobre o nosso gigante Brasil deitado em berço esplendido. Essa terra adorada que tem uma mãe gentil na qual falta um pai que aponte para a ordem e o progresso. O colega de vocês é um dos editores responsável por esta publicação e a idéia era criar um veículo para informar (e inspirar estudantes); exatamente, esta publicação que você agora está lendo. Fiquei muito contente quando o seu colega me convidou para escrever este texto pois já faz algum tempo que eu queria me queixar para alguém. Agora achei você – via a idéia de seu colega. Você sabia que a cada seis segundos morre uma criança de fome no mundo? O que você está fazendo a este respeito? Não é seu problema!? Então sugiro que você pare de ler agora. Quando Platão concebeu o conceito de Academia ele pensou num grupo de pessoas que seria diferente, um grupo de pessoas que cultuasse valores permanentes, elevados e úteis à sociedade. Na Universidade moderna pouco se honra os princípios propostos por Platão. Muitas pessoas entram pelo estreito portão de entrada do vestibular e algumas destas pessoas, menores do que entraram, saem pela porta dos fundos tentando se entender (i.e. se conformar) com seus Diplomas. Pergunto: e todos aqueles cidadãos-superiores que deveriam sair pela porta da frente – aquela que os devolve à sociedade, aquelas pessoas maiores que, Formados, poderiam acordar o Brasil, onde elas estão? Temos um hábito muito ruim, portanto vício, em nossa sociedade: culpar os outros pelos nossos insucessos e nos gabar pelos nossos sucessos. Fracassos e vitórias devem ser encarados como um resultado de nossa vontade respaldada pela vontade de todos os que nos cercam. Portanto, sucessos e insucessos são uma produção coletiva. Se você se conformou (e não se formou) na Academia que deveria ser a de Platão – no liceu de Sócrates – a culpa é de todos, inclusive sua. Mas não devemos buscar culpados, muitas bruxas morreram caçadas injustamente. Proponho um controle de qualidade ao longo do processo e não ao final da “linha de produção”. Você jogaria fora um carro pronto que somente foi testado no final? O mesmo se aplica às pessoas. Vamos fazer nossos cursos superiores como se fossem únicos (lembram da música?) – e o pior é que para a imensa maioria das pessoas o curso superior é único mesmo. Mas, pelo visto, elas acham que vão fazer vários. Só posso pensar isto ao ver que alguns estão se enganando na Universidade: “fazendo” cursos de cinco anos de dominó. A função de Professor inclui, na verdade, uma miríade de funções. Muitas agradáveis e outras extremamente desagradáveis. Corrigir provas, por exemplo, é a coisa mais chata do universo. Mas, desagradável mesmo é ter que apontar problemas. Acreditem, não vejo nenhuma graça em ter que dizer algumas coisas para alguns Alunos – mas são obrigações. Neste texto, por exemplo, não posso deixar de comentar que muitos de vocês estão desperdiçando seu tempo com Disciplinas mal ensinadas, desperdiçando o tempo dos Professores que se importam, enfim, gastando mal os dinheiros públicos. Penso que o caminho da mudança se inicia dentro de cada um de nós. Ele passa por paragens de altruísmo e dedicação. Passa por reflexões sobre a condição privilegiada que é ter amigos como o seu colega que teve uma idéia. Mas seu colega fez algo mais, e isto diz respeito à segunda parte deste meu texto: engenheirar idéias – agir. Não se preocupe, a segunda parte será menor pois tenho apenas duas páginas para escrever. Ter idéias – rompendo as amarras da inércia mental já é um grande começo, mas como dito, é apenas um começo. O mais difícil é dar vida às idéias. Materializar algo que surgiu de suas reflexões; juntar interesses; buscar condições favoráveis para que a realidade caminhe na direção de seus sonhos; colocar datas nos sonhos (senão eles serão sempre sonhos!). Engenheirar! Se você ainda está ai, pode estar se perguntando por que trabalhar duro, por que engenheirar num “lugar” em que pouco se faz. Vejam: no Brasil se trabalha muito, sim! ‘Brazil’ é o país em que não se trabalha, o país onde há corrupção e em que não vale a pena trabalhar. A violência do Brasil é, grandemente, culpa do ‘Brazil’. –Vamos nacionalizar o ‘Brazil’! Mais uma verdade de Professor: se você não for herdar nada grande de sua família, você vai morar no Brasil. Portanto vamos zelar pelo nosso lugar. Sugiro que você “faça” cinco anos de uma verdadeira educação e que seja mesmo superior, trabalhe duro, jogue dominó comedidamente (eu não tenho nada contra o jogo de dominó!), procure se juntar dentro e fora da Universidade com pessoas que estão compromissadas com ordem e progresso, engenheire suas boas idéias, tenha muitas idéias, reflita, pense.
PS-1: ‘Brazil’ é um lugar que eu identifiquei existir nas cabeças-ilha de algumas pessoas egoístas e que não têm o hábito de refletir. Infelizmente, os ‘brazileiros’ ocupam ainda os extratos mais altos da sociedade do Brasil. Os ‘brazileiros’ não se importam com o que eles são, mas como os ‘ingleses’ os vêem. Os ‘brazileiros’ ainda não sabem, mas serão conquistados pelos brasileiros que não mais os alimentarão. PS-2: se você leitor discordar ou concordar de mim, não importa, terei atingido meu objetivo, você terá refletido! PS-3: peço desculpas ao editor pois não detalhei nenhum dos oito tópicos remetidos para minha reflexão. –É que eu tinha outras reflexões na fila. PS-4: finalizo afirmando que os grandes problemas sociais do mundo começarão a diminuir se cada um de nós começar a fazer como o seu colega e pensar um pouco no outro. Por exemplo, agora, espero eu, você deve ter mudado um pouco – apenas porque alguém (o seu colega) teve uma idéia e agiu.
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Os ciclos virtuosos de nossas vidas (Aula da saudade: POLI - 2005.1)
Parte 1: “Agradecimentos” -Gostaria de iniciar cumprimentandoe desejando boa noite a todos as autoridades acadêmicas aqui presentes e representadas, aos Senhores Pais dos Formandos e a todos os seus convidados. Por fim cumprimento os Discentes presentes, com carinho especial, os formandos 2005.1 da Escola Politécnica de Pernambuco – Universidade de Pernambuco. -Gostaria de agradecer à comissão de festas da turma 2005.1 pelo convite para lhes falar nesta aula da saudade. Sei que este é um momento especial em suas vidas e por isto me sinto honrado em estar aqui representando meus pares Professores, e lhes dirigir algumas poucas palavras de incentivo e aconselhamento. -Antes de iniciar, gostaria de lhes dizer que os verdadeiros Professores vibram tanto quanto pais e mães com o sucesso de seus alunos. Falo isto para que todos saibam da grande alegria e privilégio que sinto ao estar aqui hoje falando para gente vencedora, como vocês. -E sucesso é justamente um dos aspectos que gostaria manter como central em minha fala. Percebam todos que esta semana está repleta de celebrações coletiva de sucesso. Lembro a todos que muitos são os vitoriosos que comemoram hoje o sucesso de seus esforços: (a) obviamente os concluintes, (b) Pais, (c) Professores, e, porque não, (d) a nação brasileira (deve ser por isso que se toca o hino nacional na colação de grau). -Uma vez, na época de minha formatura, não concordei com meu pai quando ele me disse que eu era um privilegiado. Burramente, lhe retruquei, à época, alegando que todos os meus sucessos haviam sido frutos de meu esforço. Hoje ele não está aqui para eu poder concordar com ele. O privilégio do qual ele falava podia ser o fato de apenas 5% da população brasileira de 17 a 25 anos ter acesso à educação superior – nunca saberei. -Portanto caros formandos, muitos são os co-participes deste seu sucesso. Vejam que o privilégio de nós poucos, somente aumenta a nossa responsabilidade. Parte 2: “Ciclos de nossas vidas” -Penso que a vida, que muitas vezes parece tão complicada, nada mais é que um conjunto de muitos ciclos, alguns encadeados; e que na maioria das vezes não percebemos. Penso que se entendidos os ciclos da vida, talvez, ela (a vida), possa ser mais facilmente vivida. -Sobre os ciclos da vida eles são de vários tipos, freqüências e importâncias. Alguns são óbvios como dormir, comer, respirar. Outros, são menos óbvios, e precisam de mais atenção para serem percebidos: terminar uma graduação é mais um ciclo que se encerra. -Claro que existem ciclos pequenos e grandes, irrelevantes e importantes, os ciclos positivos (virtuosos) e os ciclos negativos (viciosos). Os primeiros, constroem, acrescentam ao ser e a sociedade e os segundos fazem exatamente o oposto. -Nesta noite quero me concentrar nos ciclos virtuosos e não nos abundantes ciclos viciosos que nos rodeiam. E esta minha decisão é motivada pela razão que nos reúne aqui: a conclusão bem sucedida de um importante ciclo das nossas vidas. Vejam, acabo de dizer nossas vidas. Porque como já lhes disse são muitos os vitoriosos de hoje. -Há cinco anos, vocês tinham encerrado com sucesso o segundo grau, tinham obtido aprovação no vestibular, e diziam adeus à adolescência (alguns). No mesmo momento que vocês iniciavam mais um desfio (grande, importante e virtuoso, i.e. obter o grau de Bacharel), nós Professores também enfrentavam o não pequeno desafio de contribuir com a formação superior de mais um grupo de adultos jovens. -Foi duro, mas vencemos todos! Parte 3: “Realismo” -No Brasil de hoje vivemos momentos conturbados. E isto adiciona ainda mais pressão para jovens recém-formados como vocês. Reconheço. Mas, infelizmente, ao longo de nossa história como nação esses problemas sempre existiram. Destaco esta como uma infeliz constatação. Além disto, ela é uma constatação triste de que as gerações que os sucederam não cumpriram integralmente a sua tarefa. -Eu poderia passar agora a listar as mazelas correntes – vou poupá-los. Em lugar disto vou ler um texto pequeno de um outro Professor que consegue ver a realidade brasileira em uma perspectiva inteligente e crítica, mas também propositiva em soluções. -O texto a ser lido se intitula “Nós e nós” do Prof. Cristovam Buarque – Ex-Reitor da UnB. O texto abaixo foi publicado há 15 dias no Jornal do Comércio de 12/8/2005. Leitura do texto: “Nós e nós” – Prof. Cristovam Buarque de Lima, Docteur Parte 4: “Otimismo” -Ser realista é muito importante, mas não é tudo. Ao ser realista demais, alguém pode concluir grandes bobagens. Por exemplo: (a) achar que nada pode ser mudado – já que a realidade está “assustadoramente” enraizada em todos ao nosso redor; (b) achar que nosso poder e capacidade são pequenos demais – ante uma realidade “assustadoramente” perversa; (c) achar que não podemos ser úteis; ou pior, (d) achar que não podemos mudar este país. -Nós da minoria dos privilegiados deste pais, não devemos e não podemos pensar assim. Sejamos otimistas. Sejamos conscientes das vantagens que nossos esforços produziram, mas também, das responsabilidades que estas nos obrigam a envergar. Parte 5: “Mensagem final” -Eis que agora de novo outra fase se desfralda para vocês: a vida profissional. Assim como no passado as inseguranças são muitas, as dúvidas não são poucas. Mas a grande vantagem de entendermos a vida na perspectiva de ciclos é justamente termos a certeza que eles: (1) começam e terminam, e que (2) na maioria das vezes, a diferença entre ciclos virtuosos e viciosos acontece na medida direta das posturas e decisões que adotamos. Portanto, sejamos corajosos, ousados, altruístas, perseverantes e otimistas. -Saibam todos os formandos, que apesar de formados, isto não os impede de retornar à Universidade e contar sempre com seus Professores; a relação professor-aluno é indestrutível! -O fim dos seus Cursos não significa o fim de nossos relacionamentos, mas apenas que eles se darão então entre colegas de profissão. -Meus caros, vão, sigam seus caminhos e deixem suas marcas nesta sociedade. -Vão, mudem o Brasil e sejam felizes! |