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© Fernando Buarque,
2005
Página atualizada: 15-02-2009 |
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Conceitos de ensino que subscrevo e tento praticar
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Ensino: Graduação
A graduação é o momento da formação que habilita o Aluno para o desempenho
profissional em nível superior. Isto significa que além de saber e
saber fazer, o egresso desse nível deve possuir um conhecimento mais aprofundado em
sua área, ou seja, saber o porquê, e também saber criar.
Esta atividade é longa e decisiva na vida de seus "usuários". No Brasil, infelizmente, apesar de
ser uma vitória,
pertencer a uma graduação implica em que o educando pertence também a uma
minoria privilegiada da população.
A postura do Aluno nesta atividade deve ser participativa e interessada,
devendo ele estar consciente da importância de que somente com muita dedicação
haverá pleno sucesso profissional.
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Além de envolver o Aluno no
desafio que é a sua própria formação, cabe aos Docentes responsáveis
pelas funções de ensino: (a) apresentar e encadear os conteúdos
gradativa e progressivamente, (b) incentivar situações que promovam
autonomia visando a formação de profissionais independentes no futuro
e (c) incentivar buscas e descobertas gerais, com gradual condução
para áreas de afinidades e interesses mais específicos da Profissão.
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Ensino: Estágio
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O Estágio Curricular é uma importante oportunidade, ainda durante sua
graduação, em que o Aluno pode experimentar, antecipadamente, uma
vivência prática no seu futuro mercado profissional.
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Por um problema conjuntural, erradamente, algumas empresas tendem a
encarar o estagiário como profissional formado
(além de não lhe remunerar de acordo)..
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O Aluno nesta atividade acadêmica deve estar disposto a aceitar novos
desafios de aprendizado e estar consciente que escolher/realizar bem o
seu estágio pode lhe abrir portas no futuro.
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Além de supervisionar o andamento de todas as atividades previstas para
o estágio, o Docente associado a esta atividade deve primordialmente:
(a) manter o aluno motivado a aprender e praticar novos conhecimentos,
(b) estimular no aluno a buscar o elo de ligação entre os conceitos
teóricos e práticos das atividades realizadas e (c) fazer o aluno
equilibrar as demandas de tempo entre seus estudos e seu estágio.
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O Supervisor na indústria deve indicar claramente para o Estagiário
quais são as metas e prazos a serem cumpridos durante o estágio, bem
como propor e fornecer o ferramental a ser utilizados durante o período
de estágio.
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Os principais problemas nessa atividade são: falta de foco,
descumprimento de prazos e supervalorização do estágio (em detrimento
dos estudos de graduação).
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Ensino: TCC
O Trabalho de Conclusão de Curso é a última grande atividade acadêmica
na qual o Graduando terá a rica oportunidade de praticar conjuntamente a
maioria do conceitos estudados durante a graduação.
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O TCC visa também avaliar se o
Aluno pode assumir a responsabilidade de ser promovido a Engenheiro.
A postura do Aluno nesta atividade deve ser de líder de projeto, cabendo
ao Docente responsável funções de supervisão. Isto implica que as todas
as iniciativas devem partir do Aluno.
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Além de orientações gerais, o Supervisor do TCC
deve primordialmente evitar: (a) desvios do foco, (b) não cumprimento
de prazos e (c) falta de empenho.O Aluno deve aproveitar a
oportunidade para usar o seu Supervisor como um consultor e não como
um chefe. Dessa forma as reuniões deve ser como "confissões a um
Padre" e não "entrevista para emprego".
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Com o Prof. Buarque o TCC é uma atividade
alongada em objetivos se comparada à média dos outros TCCs. Após uma
cuidadosa seleção de tema e metas, além de um rigoroso estudo
teórico dos conteúdos
necessários para a realização do projeto, o trabalho deverá ser útil à
sociedade de alguma forma prática. Obviamente, por seu um Curso de Engenharia, nos trabalhos de conclusão
é desejável haver algum tipo de implementação computacional.
Os principais problemas (que
devem ser evitados) nessa atividade são: falta de foco, descumprimento
de prazos e supervalorização de outras atividades em detrimento da sua
última obrigação na graduação – o TCC.
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Ensino: IC
Iniciação Científica é uma atividade acadêmica com
ênfase em pesquisa. Visa estimular a prática do método científico e
desenvolver habilidades sistemáticas de investigação e produção de
conhecimento. Ao contrário do que pode se pensar, participar de
Iniciação Científica não implica em seguir carreira científica. -
Normalmente a atividade de IC se realiza em um ano,
podendo se renovado por iguais períodos.
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O Aluno deve encarar IC como uma oportunidade para
estudar em mais profundidade os assuntos do trabalho de pesquisa, onde
serão praticados conteúdos teóricos e práticos. Nesta atividade o
Aluno deve seguir as recomendações do seu orientador sem grandes
questionamentos, mas com muita reflexão sobre o seu porquê. -
Os problemas mais comuns são a falta de: (a) uma
bolsa de estudo; (b) dedicação ao trabalho (i.e. acumular com estágio,
por exemplo); (c) encontros regulares com seu Orientador; e (d) falta
de uma visão clara sobre o problema (sub-problema) de pesquisa.
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Ensino: Grupos de Estudos
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Atividade voluntária que
complementa a formação acadêmica, em ambas as vertentes da graduação,
i.e. teórica e prática. Justamente por sua característica voluntária,
observam-se excelentes resultados de aprendizado.
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O Estudante deve aproveitar
seus tempos ociosos, por exemplo: antes de começar a estagiar, para
experimentar na prática os conteúdos de algumas áreas da sua futura
profissão; grupos de estudos são ideais para isto. A sua postura deve
ser exploratória e integrativa. Ou seja buscar novos conhecimentos e
os acomodá-los aos já existentes. Participar de mais de um grupo de
estudo é até salutar.
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O Docente à frente da
iniciativa deve apenas indicar rumos para os Alunos seguirem (i.e.
fornecer um plano de estudo para o grupo) e, eventualmente, marcar
reuniões de dúvidas e orientações. Excesso de ajuda pode ser até
prejudicial se se considerar o caráter exploratório da atividade.
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As poucas causas de insucesso
são o baixo comprometimento com a atividade e a participação em muitas
outras atividades concorrentes. Em ambas as situações, recomenda-se
uma adequação de interesses.
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Ensino: Monitoria
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Atividade extra na graduação
que inicia o Aluno Futuro-Professor (i.e. o Monitor) a importante
habilidade de ensinar. Adicionalmente, ser monitor de uma Disciplina
reforça sobremaneira o comandamento dos saberes deste Aluno sobre o
conteúdo da disciplina ministrada.
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O Monitor deve entender que
sua função é a de complementar a atividade de ensino desenvolvida
pelos Professores. Cabendo a ele trabalhar, a na prática, junto
com suas turmas atribuídas, os ensinamentos teóricos ministrados pelo
Professor.
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O Docente deve preparar o
Monitor, não somente nos aspectos teóricos da atividade, mas
principalmente nos importantes aspectos pedagógicos e psicológicos da
atividade de ensino. Leituras sobre tópicos de Educação são
fundamentais.
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Apesar de muito improvável, os
insucessos nessa atividade se devem ao não cumprimento de aspectos
como: pontualidade, seriedade, disposição para o trabalho e ajudar
outrem. Participar da monitoria apenas por causa da sua eventual
remuneração é um forte indício de que esta não é a opção mais
adequada.
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Ensino: Projetos
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Atividade voluntária que pode
acontecer durante e após a graduação e que ajuda sobremaneira a
profissionalização dos seus “usuários”. Participar de projetos (e.g.
de pesquisa ou e de extensão) estimula reflexões sobre a importância e
as dificuldades do trabalho em grupo. Estimula também o
desenvolvimento de necessárias habilidade gerenciais futuras, noções
de organização e capacidade de planejamento.
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O participante em atividades
como projetos têm que adotar uma postura colaborativa e responsável.
Entender que a efetividade de um grupo depende da não-geração de
problemas desnecessários por seus participantes é óbvio mas necessário
de ser frisado.
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O líder de um projeto deve
manter sua equipe estimulada, esclarecer os objetivos do projeto,
cuidar para que o andamento do projeto seja na gradação e direção
necessárias. Manter uma clara divisão das tarefas entre os
participantes do time bem como a forma como vai ocorrer a sua
complementaridade é um desafio adicional.
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Insucesso neste tipo de
atividade acontece por falhas na liderança ou baixo
comprometimento/entrosamento dos seus membros.
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Ensino: Pós-Graduação
A pós-graduação é o momento que se segue a formação
superior regular. Ela habilita o Aluno para o desempenho
profissional em nível superior avançado. Isto significa que além de saber, saber fazer,
saber o porquê e saber criar, o egresso deve ter um conjunto
avançado de saberes. No caso de Mestrados e Doutorados, ele deve saber
conduzir pesquisas científicas e saber ensinar.
Existem dois tipo de Pós-Graduações: Lato Sensu
e Stricto Sensu. O primeiro tipo é uma continuação "em
largura/comprimento" dos saberes atinentes à formação superior; o
segundo, além de ser também uma continuação da formação superior,
caracteriza-se por um substancial aprofundamento teórico no domínio
estudado. No Brasil, pós-graduação Lato Sensu ou especialização
normalmente dura uma ano. As Pós-graduações Stricto Sensu, podem
ser de nível Mestrado ou Doutorado. Nestes dois casos, seus tempos de
conclusão são de até dois e quatro anos, respectivamente.
Esta atividade é de média a longa duração e pode
criar vieses permanentes na vida profissional de seus voluntários (e.g.
Docente de Universidade Pública, Cientista de Centro de pesquisa
etc.). Se no Brasil, concluir uma graduação implica em privilégio de
poucos, concluir uma pós-graduação é uma vitória ainda mais seletiva. É
de se esperar que no Brasil as pós-graduações Stricto Sensu
passem a contribuir mais fortemente com a formação de pesquisadores para
as empresas (hoje, infelizmente, a maioria de egressos desta modalidade
gravita em torno apenas das Universidades).
A postura do Aluno nesta atividade deve ser interessada
e semi-independente,
devendo ele estar consciente de que somente com muito investimento de
tempo e foco nos seus estudos/pesquisas
haverá pleno sucesso.
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Além de envolver o Aluno no
desafio que é a sua própria formação avançada, cabe aos Docentes responsáveis
pelas funções de ensino: (a) apresentar
progressivamente as
áreas e problemas a serem
pesquisados, (b) incentivar a busca por conhecimento e formulação de
hipóteses para solução de problemas por parte do Aluno e (c)
incentivar a independência de pensamento,
mas com o devido rigor científico.
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